quarta-feira, 24 de abril de 2013

Peirce e uma semiologia para além da sintomatologia


Martins, F. (2005). Psicopathologia I - Prolegômenos. Belo Horizonte: PucMinas.

Capítulo 7 - Por uma semiologia mais além de sintomatologia: qualificando Peirce.

A semiologia psicopathológica é similar às estrelas que brilham no céu escuro: emitem sinais, aparentando serem astros, sóis que enviam luz. Os corpos celestes, à noite, parecem 'estrelinhas'. Sabemos de longa data, pela simples observação dos movimentos dos astros, que nem todas estas estrelas são iguais. Existem planetas e outros astros que não emitem luz própria e que se movimentam. (...) Não recusamos o brilho das estrelas como possibilidade primeira de investigação do cosmos. Esse brilho é um signo que os físicos, mesmo hoje, não desconhecem. De modo similar, os clínicos, investigando os signos específicos, não poderão confundi-los com as explicações, com a causalidade. Ou seja, consideramos a ordem das aparências, exemplificada aqui como a dimensão semiológica, sem com isso confundi-la com o saber constituído ou que venha a se constituir (p. 231)

A semiologia passa do exótico, anormal e excêntrico, para o mais cotidiano e próximo, "exigindo uma maior relativização daquilo que era julgado exceção".

Uma semiologia geral ou semiótica visa ultrapassar os fenômenos apenas como sintomas, numa perspectiva puramente causalista, para propiciar o entendimento de fenômenos portadores de sentido e de história.

Superar a oposição natureza/cultura, dado que cultura é plenamente constituída pela natureza humana.

O ser humano produz signos que têm sentido.

Sentido: o que alguém quer dizer com tal signo?
Qualificar é localizar na história e na humanidade

----A depender do tipo de pesquisa, a resposta naturalistica é mais fácil de aceitar e mais prontamente referida com tom de verdade

Melhor não ver do que sofrer diante de signos perturbadores, anunciadores do desconhecido, realizando-se através da dicotomia natureza/cultura o isolamento de semiologias diferentes (p. 235)

--Na psicopatologia clássica, contudo, essa dicotomia parece atenuada em um erro lógico não questionado: linguagem é natureza por ser inerente ao cérebro humano, expressão do pensamento e do que ocorre ao cérebro (como o exemplo das afasias).

Mas este tipo de explicação é insuficiente e pouco precisa, além de englobar apenas uns poucos fenômenos e deixar de lado uma das maiores aspirações da ciência: a generalização coerente e possível.

Assim, a psicopatologia se torna algo muito impreciso e subjetivo e os psiquiatras não dispõem de instrumental teórico ou técnico para enfrentar os problemas que enfrentam.

É necessária uma lógica no processo mesmo de conhecimento e qualificação dos fenômenos, como a proposta pela semiótica de Peirce.

Charles Sanders Peirce: semiologia (semiótica, lógica)+fenomenologia.

Saussure: signo=significado+significante (na linguística, i. e., anterior à semiologia).

Barthes: "É a semiologia que é uma parte da linguística" - só é possível tratar de fenômenos e de signos quando dispomos da linguagem simbólica, não existe sentido em outros códigos que não o da língua, a qual existe fatos naturais (como o aparato corporal).
Necessidade de superaçaõ das oposições dialéticas

"A linguagem é o meio onde emerge o Ser, é sua casa, sendo assim condição lógica para existência de todas as ciências" (p. 236)


**Categorias fenomenológicas de Pierce

A phaneroscopia é a descrição do phaneron. Por phaneron, entendo a totalidade colectiva de tudo aquilo que, de qualquer maneira e em qualquer sentido que seja, está presente
ao espírito (mind), sem considerar de nenhuma maneira se isso
corresponde a algo de real ou não.
http://semiotica.com.sapo.pt/textos/sem03.pdf

A qualidades exigidas na categorização fenomenológica de Peirce são:
"Ver o que está diante dos olhos, como se apresenta, não sibstituindo por algumai nterpertaçaõ (...); discriminação resoluta (...) daquela característica; poder generalizador"
***pressuposto de retorno à experiência

3 tipos de consciência
-Sensorializada (sensibilidade): primeiridade
-Representada (reatividade): segundidade
-Simbolizada (mediação): terceiridade

(o sentimento não é o afetar-se, sentir em ato, mas o sentir já pensado, substantivado u em elaboração como representação ou simbolização)

3 is a magic number: o número 3 é o que introduz a regra, a lei, a mediação (eu, mãe, pai/ mania, neurose+perversão e psicose/ comprimento, área e volume/ amor, culpa e reparação/ Ser, txf e lógica)

Primeiridade
-presentness, suchness, sensação, imediatidade. "qualquer qulidade de sensação, simples e positiva". Presente eterno.

Segundidade
-possibilidade de reagir à sensação, de representar (sonho sem palavras: esforço): duas coisas em relação, sem meio ou mediação. O passado modifica o presente.



Terceiridade
-mediação, processo, predição do futuro por intermédio de lei geral

1-Representamen: 1-ícone, 2-índice e 3-símbolo
2-objeto: 1-qualisigno, 2-sinsigno, 3-legisigno
3-interpretante: 1-remático, 2-dicente e 3-argumentativo

(qualificar quadro p. 254)

3³ possibilidades de sigo; sem as redundancias, 10 tipos.

111
211
221
222
311
321
322
331
332
333

Um só tipo de signo (3-3-3) mostra o que seria a relaçao por pebsamento.
Ou seja, a comunicacao plena, efetiva, nao é a regra, embora desponte como ossibilidade. O equivoco e a incompletude sao a regra (1-1--1; 1-1-2; 1-2-3...)

A clínica exige o entendimento de signos causais, tais como os índices, e exige o reconhecimento da existencia de signos em quye o sentido, e nao mais a causa, é o fato primordial.

A linng~ se da de forma sígnica, importancia do pré-simbólico nas disposicoes mais radicais, primevas e incs.
Os sintomas, mais do que unívocos, principalmente os da ordem do psiquico e do social, são tambem do registro do equívoco e da aparencia.
Assim sendo, a elucidação desdes deve se dar no solo de uma teoria que vise elucidar a variacao inevitavel que o campo da palavra comporta (260)

A comunicação é um milagre. Na tentativa de tornar comum,
o significante só adquire sentido dentro daquele que está recebendo e o reconstruindo ao seu modo e sem uma intencionalidade prévia. Desde que todos queiram entrar em contato, com o mesmo código e todas as condições de redução de ruídos aceitas, ainda assim o que é construído como sentido por cada um não está garantido (267)



Capítulo 8 - Semiologia psicológica: a abertura do campo clínico psicológico

Excepcionalidade da semiologia sindrômica

Tabela 8.1 - Tipos de semiologia segundo tempo, espaço e signos (273)
*Tipo de semiologia:
Sindrômica enfatiza a descontinuidade X Psicológica enfatiza a continuidade
*Tempo
Excepcionalidade (crise) X Cotidiano
*Espaço
Especial (asilar) X Comum
*Signos
Específicos, indiciais (pertencem a um saber estabelecido) X Genéricos: índices, ícones e signos (nem sempre mediados por um saber estabelecido)

O foco na exceção coloca o sujeito-objeto investigado pela psiquiatria clássica como portador de excepcionalidade (natural ou cerebral), em confronto com uma norma estabelecida ou imaginada pelo investigador. Por isto, pode-se questionar se não existe intencionalidade prévia dentro daquele que recebe e interpreta um signo.

Criação de espaço intermediário entre o asilo e o domicílio, mais próximo do cotidiano, onde a fala do indivíduo é privilegiada em primeiro lugar.


Dupla injunção ética em psicopathologia clínica:
1 - o tempo deve ser devolvido ao paciente em sua plenitude;
2 - o paciente deve e pode ir e vir quando quiser (não enquanto exceção, só hoje, mas como disposição fundamental)

As restrições de tempo e espaço ocorrem principalmente nas síndromes psiquiátricas mais graves, como as psicoses, as quais teriam consequências mais funestas.
A semiologia da crise é sem dúvida um dos reveladores essenciais do sujeito. Contudo, é elementar a existência de outros tempos antes, durante e depois da crise. Mesmo durante o chamado tempo de crise o sujeito tem acalmias. Muitos dormem, sonham, passeiam e produzem inúmeros signos julgados normais por todo e qualquer mortal (p. 275)

"Cabe perguntar: o que ocorre fora do tempo de crise"?
- produção de inúmeros tipos de signo, pertencentes mais além da clínica da crise
- os sintomas portam uma mensagem que não pode ser dita e que, por vezes, o próprio sujeito desconhece (sintomas simbólicos)
- as diferentes manifestações assim chamadas psicopathológicas se transformam no tempo e no espaço, signos que também se transformam a depender da pessoa que entra em contato com eles.




sexta-feira, 19 de abril de 2013

Delimitação e gerenciamento da crise psíquica grave: em busca de parâmetros


Costa, I. I. (2013). Delimitação e gerenciamento da crise psíquica grave: em busca de parâmetros. In I. I. Costa. Crise Psíquica Grave e Intervenção Precoce. Editora: Brasília. (Artigo aceito para publicação).


Não cuides nem das horas nem dos anos,
mas dos instantes e do agora cuida apenas;
cuida de cada um deles, vive-o todo,
como se o único fosse, ou o derradeiro.
(Daniel Lima)


Crise: modo de decisão que pode tornar a vida melhor ou pior.
"um momento de desequilíbrio que evidencia a necessidade de um tipo de mudança, mais ou menos radical, em um dado processo (Nepomuceno, 2012).

Os pródromos são os primeiros sinais, nem sempre sintomáticos, de algo como "pré-psicose" ou prévios ao sofrimento psíquico que podem ou não evoluir para uma psicose.

Terceiro sentido do termo na fenomenologia (Husserl): intencionalidade da consciencia, não há consciência no vazio.

"Aprendi que é natural ter crises e o melhor a fazer é vivê-las com todas as suas implicações" - Cora Coralina.

O termo sofrimento psíquico grave se refere a toda manifestação aguda da angústia que não tem sido bem compreendida.

Compreender a crise como um acontecimento essencialmente fenomenológico e não apenas sintomatológico e nosográfico: necessidade de oferecer processo de possibilidades de esturutraçaõ e de estar ao lado, clinicamente.

Desafios filosóficos
a) Buscar superar a classificação nosográfica, empiricista, categorial e sindrômica das classificações psiquiátricas, que se pretendenm ateóricas (equívoco);

b) apontar para fenômenos existenciais, fenomenológicos, de cunho interno, relacional, dinâmico (subjetivos, psíquicos) da angústia, de contradições na estruturação psíquica, do sofrimento;
c) resgatar a dimensão "normal" do sofrimento humano.

O que é tradicional? Urgência psiquiátrica
Urgência e emergência: risco significativo de morte ou lesão provocado por fatores psíquicos.

A crise tem uma função precisa, é o momento de uma partição quando no cuidado tradicional: a pessoa é ou não doente mental?

Necessidade de cuidado de uma pessoa que, mais do que em demanda de manejo de sintomas graves, pede o desenvolvimento de novas saídas para sua ruptura, novas estratégias para enfrentar o sentimento de ser estranho, estrangeiro em sua própria terra, de ser julgado um bizarro por seus próprios pares.

A crise é ponto de corte
a) da pessoa em si;
b) daqueles a que se remetem as consequências da crise

Interpretação de sinais identificados nos comportamentos não usuais, habituais. Se relaciona ao padrão de comportamento, mais do que ao comportamento em si -- Mais do que uma pessoa que é agressiva, violenta, estranha, que quebra as coisas, uma pessoa em crise tornou-se agressiva, algo alterou-se em sua vida que lhe causou sofrimento intenso e a necessidade de quebrar as coisas.

Mas quem aponta, quem define a crise são as pessoas que acompanham de alguma forma a pessoa em alteração. São elas quem identificam a diferença e acionam o serviço (psiquiátrico, por falta de melhor referência do que seja saúde mental?), quem transformam a crise em urgência psiquiátrica.

O atendimento à crise é o ponto de máxima simplificação da complexidade da existência e de sofrimento que uma pessoa reduziu a um sintoma. Quando um serviço de atendimento à crise trata somente o sintoma, deixa de lado a enorme complexidade ali reduzida e se torna incapaz de compreender a dimensão humana do que estão "tratando". Isso porque, se a crise é prenúncio do agravo do estado disruptivo de uma pessoa, ela pode ser elemento de "predição" de uma "doença mental" e seu tratamento implica duas possibilidades:
a) a adaptação à norma, "voltar ao normal" ou
b) reproduzir uma subjetividade doente, rumo à cronificação.

Os mecanismos tradicionais de cuidado da crise não englobam, portanto, a visão de possibilidade de transformação e demanda de mudança, como ora propomos. Se a crise desencadeia um sistema de serviço de urgências e emergências, a necessidade de assistência imediata e complexa, se ela reduz em sintomas uma complexidade existencial, ela também traz para jogo a imprevisibilidade. Mas "crises difíceis" não são coisa de psicólogo ou assistente social, tem coisas que é "só com o psiquiatra mesmo". Mas lidar com a crise não é uma questão de lugar, mas de atitude clínica compatível com as exigências (por certo muito altas e complicadas) do indivíduo, sua família e quem quer que substitua o hospital psiquiátrico. Esse tipo de crença reforça a necessidade, no imaginário social, de manitençaõ do manicômio como espaço especializado.
Representações sociais negativas do louco, do drogado e do "louco infrator", decorrentes de estigmatizações advindas do cuidado tradicional: excludente e rotulador.

Todas essas questões levantadas colocam em xeque o cuidado tradicional e enfatizam uma ética do cuidado, aproximam um tipo de atenção à pessoa em crise e a sua família, mais do que manejo de sintomas de urgência psiquiátrica.


---Possíveis apontamentos, parâmetros a serem trabalhados de acordo com cada situação e modificados segundo as subjetividades historicizadas.
A relação é que é terapêutica e não a atividade.

-Crise não é diagnóstico: é potencialidade localizada em um contexto (Costa, 2012; 2013).
-Acolher e dar escuta à crise, aos indivíduos implicados e suas condições. O sintoma como símbolo do sofrimento que o indivíduo carrega (Oliveira, 2007; Costa, 2013).
-Capacitar para conhecer, escolher e combinar modalidades e recursos de intervenção (Lima, Santos Jucá, Nunes & Ottoni, 2012)
-Gerenciamento de caso, plano terapêutico singular. Cuidar do outro como condição a priori, pré-ontológica (Levinas, 2009).
-Reconhecer o humano como sujeito "de direitos e deveres", mais do que "objeto de intervenções" (Schmidt & Figueiredo, 2009).

Crise (Santos e Lima Filho, 2000)
-imprevisibilidade (a menos que previstas, mas mesmo assim suas características são flutuantes);
-ameaça metas de alta prioridade
-comprime o tempo (urgência)
-necessidade de postura não rotineira, planejamento especial abrangente

ou seja, aspectos de cuidado desconsiderados dentro da perspectiva tradicional


Necessidade de referências baseadas em evidências para subsidiar a prática

As pessoas envolvidas no cuidado sofrem de diferentes maneiras: familiares, profissionais, comunidade.

Tomada de decisão ética:
-qual o problema?
-alternativas possíveis?
-quem está envolvido?
-consequências em curto e longo prazo?
-valores e princípios relacionados

Todos na equipe podem ser gerentes de caso, ao relatar devem falar da interação estabelecida e compartilhar o entendimento que têm das condições e da possibilidade de plano unificado de cuidado. A NEGOCIAÇÃO é fundamental.

______________
Cuidado
-Ética da responsabilidade: quem cuida?
-Pensamento (afeto, interação) e planejamento: todos cuidam, mas como evitar a Torre de Babel dos profissionais da modernidade dissecada e marcada pela ruptura?

O cuidado de si é condição para o cuidado do outro (Foucault)
Para Heidegger, o ser humano cuida dos entes na medida em que deles se ocupa, insere-os em seu projeto existência. A preocupação não deve se antecipar à existência do outro por meio de normas ou modelos pré-estabelecidos cuja função de dominação é facilmente detectável. (((Será que isso contradiz Levinas, que afirma o cuidado como pré-ontológico?))). Antes, o cuidado atualiza as possibilidades de poder-ser: um cuidado muito antagônico às posturas tradicionais da psiquiatria.

Heidegger afirma a necessidade de articular o cuidado com as estruturas existenciais dos modos de ser no mundo, ontológicos, um ser lançado no mundo, desamparado, cuja única garantia é a impossibilidade que é a morte.

Ontológico, pois o ser humano é um ser-com-os-outros e se deve levar em conta isso no cuidado. A perfeição do humano é aqulo que ele pode, no exercício de sua liberdade, escolher como suas possibilidades mais próprias é uma "realização" do cuidado.

Sentido ontológico fundamental do cuidado - Heidegger!

Winnicott e o ambiente suficientemente bom que, por se identificar com o indivíduo e permitir-lhe a ilusão e a dependência, possibilita a continuidade do ser, não é intrusivo e permite o sentimento de ser real. A cura também se refere ao cuidado, para além da introdução intrusiva de um elemento curativo que se direciona à "exorcização" da doença (Winnicott).

Curar pode significar permitir o senso de ser e de continuidade do ser, a não traição do self: uma amostra de mundo encontrável e previsível em que o indivíduo possa começar a ser.

O ambiente suficientemente bom é acolhedor e confiável, fornece holding e permite que o indivíduo se sinta cuidado. Somente mediante a interação com este ambiente que o humano se torna saudável, capaz de concernimento e fé, mais do que pela simples introjeção da lei ou da "saúde" (seja por medicações ou interpretações rotulantes). É o campo do seio, mais do que o campo do pênis, que domina nos casos de psicose.

Seja qual for a natureza do problema que aflige o paciente, ele é outro ser humano, como eu mesmo, e estamos ambos no mesmo barco, lançados, sem fundamento, na incumbência de existir. (Costa, 2013, s.p.).


Para ler:
Dias (2010). O cuidado como cura e como ética.  Winnicott e-prints, vol.5, no.2, São Paulo.
Rocha, Z. (2011). A ontologia heideggeriana do cuidado e suas ressonâncias clínicas.  Síntese Revista de Filosofia, Vol. 38, Nº 120, pp. 71-90, jan-abr, Belo Horizonte.

A teoria do amadurecimento e o conceito de saúde


Golovaty, M. (s.d.). Os conceitos de sáude e doença à luz da Teoria do Amadurecimento de D. W. Winnicott. Recuperado em 19 de abril de 2013, Psiquêvida, web site http://www.psiquevida.com.br/downloads/literatura1.pdf


A saúde, diferente da "fuga para a sanidade", é tolerante com a doença. Em muitas situações, é mais saudável ficar doente do que se mostrar invulnerável, já que a doença significa também permitir a regressão psíquica até o ponto do amadurecimento no qual ocorreu o trauma.
A teoria de winnicott abre muitas possibilidades para o trabalho preventivo, já que entende o amadurecimento como uma tendência inata do indivíduo, tornado possível pela adaptação ativa do ambiente. O amadurecimento em si, portanto, tem a direção da saúde, marcado pelo adoecimento em face das falhas do ambiente, não necessariamente por transtornos internos ao indivíduo.

Trauma: congelamento ou ruptura da continuidade do ser, causado por uma intrusão ou pela negligência de atendimentode necessidades essenciais.

Reagir: oposto de "ser", quebra na continuidade do ser que desencadeia a organização de defesas.

Linha do amadurecimento - continuidade do ser: o humano surge do não-ser, da não integração e se desdobra rumo à independência até, se tudo correr bem, a morte na velhice e a marca derradeira da saúde, que é o retorno ao não-ser (inorgânico)

Quando o ambiente falha, o indivíduo é levado a criar estratégias suas para lidar com os fracassos. Nas primeiras etapas do desenvolvimento, contudo, como na dependência absoluta (ou dupla) e na relativa, falhas importantes podem ser vivenciadas como traumas, algo que está além da capacidade cognitiva e afetiva do indivíduo em entender ou enfrentar. Nesses casoso ,os traumas repercutem de maneira muito nociva e por vezes irremediável no amadurecimento. São marcas indeléveis na linha do amadurecimento que podem formar pontos de "fixação" aos quais o indivíduo regride quando não consegue lidar com os fracassos do ambiente.


Dependência absoluta: em algum momento antes do parto, o "grande despertar".

A conceituaçaõ de dependência implica diretamente a provisão ambiental.

Manutenção da criatividade: o gesto espontâneo relacionado à criatividade originária, ou à capacidade inata de buscar algo desde dentro ou de fora. O indivíduo que precisar reagir demasiadamente faz o movimento oposto da continuidade do ser: é ele quem se adapta ao meio e organiza defesas responsivas ao ambiente. Cria um falso self que só serve para proteger o verdadeiro. Ele é tolhido de sua criatividade e pode parecer funcionar bem, mas lhe falta o sentimento de ser real. A sua existência está atrelada à reprodução de umar realidade artificial, sem espontaneidade e criatividade.

Instalação da psique no corpo

Realidade transicional.
Aproxima paulatinamente da realidade externa o bebê que começou a ser desilusionado.
I AM ALONE

Saúde é maturidade, maturidade é saúde
Capacidade para se preocupar